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O FIM DA CASAS BAHIA? MAIS UMA RECUPERAÇÃO JUDICIAL! (a crise chegou)

PR
Thiago Nigro
@oprimorico · O Primo Rico
90índice · 146 factuais consolidado
10 falasImpreciso 1 Confere 9

Reflete as afirmações analisadas, escolhidas por relevância; não é uma amostra do total do que o criador fala. Como calculamos.

Checagem do Supercrítico · publicado em 30/08/2026 · revisado em 30/08/2026

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A leitura do vídeo

Além das afirmações uma a uma, como o vídeo monta o argumento e o que deixa de fora. Análise editorial da moldura; qualifica o argumento, não a pessoa. Entenda as técnicas →

O vídeo leva a concluirA crise que levou a Casas Bahia à recuperação judicial veio de fora — juros altos, concorrência global e o efeito Americanas derrubaram uma empresa que operacionalmente já se recuperava —, e por isso até quem investe no que parece seguro perde tudo sem orientação profissional.

Indução causal
E por mais que a concorrência e a taxa de juros sejam os grandes vilões dessa história toda, também tem um terceiro fator aqui que quase ninguém mais lembra que ele existe. A Casas Bahia foi uma das empresas mais afetadas por um efeito dominó, que começou com uma empresa que não tem nada a ver com ela, que é a Americanas.
O que falta

A cadeia nomeia três causas externas (juros, concorrência, dominó Americanas) e fecha a conta sem a empresa. Contraexemplo nomeado: a Magazine Luiza, mesmo setor e mesma Selic de 15%, fechou o 2T26 com prejuízo ajustado de R$ 50,4 milhões e sem pedir recuperação judicial — se a Selic fosse o vilão determinante, a concorrente direta também estaria em RJ. A diferença de escala (prejuízo ajustado de R$ 50 mi da Magalu contra R$ 978 mi da Via Varejo, esta com patrimônio líquido negativo de R$ 8,1 bi) aponta para a alavancagem e o balanço da própria Casas Bahia, não só para o macro.

Fontes (2)
Omissão de origem
Então, e se eu te disser que ela pagou um valor a mais pelo negócio? (...) Só que, e se o bairro não valorizar? Aqueles 300 mil que você pagou a mais viraram fumaça. E foi mais ou menos isso que aconteceu.
O que falta

O ágio é apresentado como azar de mercado ('e se o bairro não valorizar'), quando a origem é uma decisão da própria empresa: pagar a mais na formação da Via Varejo (fusão Casas Bahia + Ponto Frio, 2010), baixa que agora soma R$ 971 milhões. No mesmo trimestre a companhia baixou R$ 5,7 bilhões de crédito fiscal por concluir que não gerará lucro futuro suficiente — admissão do próprio modelo de negócio, não de um choque externo. A imprensa especializada lista 'erros de estratégia' e 'bets' entre as causas, ao lado dos juros; a moldura do vídeo omite essa parcela de responsabilidade interna.

Fontes (2)
Falsa equivalência
imagina que você tem um emprego que paga 5 mil reais por mês, mas a sua parcela dos empréstimos é de quase 13 mil. Você pode trabalhar quanto quiser, você pode fazer hora extra, você pode pegar bico no final de semana. Não vai fechar conta. E é exatamente isso que está acontecendo com a Casa Bahia.
O que falta

A analogia equipara a empresa a um assalariado de renda fixa que 'não vai fechar conta', induzindo o veredito de que é 'matematicamente impossível sobreviver'. Diferente de uma pessoa física, a companhia pode renegociar e suspender a dívida — é exatamente o que faz a recuperação judicial que a própria Casas Bahia protocolou, e que o vídeo, mais adiante (1129s), descreve como 'proteção temporária para renegociar as dívidas'. A moldura do salário de R$ 5 mil contra parcela de R$ 13 mil apaga esse mecanismo e transforma reestruturação em sentença de morte.

Fontes (1)
Escalada emocional
A Casa Bahia foi fundada por um sobrevivente do Holocausto que vendia colchão de porta em porta. (...) E hoje, quase 70 anos depois, essa empresa está entrando em RJ. Não é só uma empresa passando por problemas, é um pedaço da história do Brasil passando por problemas.
O que falta

O pico emocional ('sobrevivente do Holocausto', 'pedaço da história do Brasil', 'muito triste de verdade') desemboca, poucos segundos depois, no argumento 'é por isso que a Finclass existe' e na oferta de desconto. A Finclass é plataforma do Grupo Primo, do próprio criador do vídeo — o pathos prepara o espectador para a venda de um produto do apresentador, conflito que a moldura não revela ao público.

Fontes (1)
Veredito da moldura

Os números do vídeo conferem: prejuízo de R$ 10,1 bi (R$ 9,1 bi contábeis), patrimônio líquido negativo de R$ 8,1 bi e EBITDA de R$ 2,5 bi em 2025 batem com o release e com as checagens já feitas. A moldura distorce ao eleger a Selic e a concorrência como os 'grandes vilões' e tratar a Via Varejo como vítima passiva de um choque externo: a Magazine Luiza, no mesmo setor e sob a mesma Selic de 15%, fechou o 2T26 com prejuízo ajustado de R$ 50,4 milhões e sem recuperação judicial, o que desloca o peso para a alavancagem e as decisões da própria empresa. Ao encadear o pathos do 'pedaço da história do Brasil' com o funil para a Finclass, plataforma do próprio criador, a leitura leva o espectador a concluir que o problema é falta de assessoria, não de balanço.

Confere O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial no domingo, 16 de agosto de 2026, envolvendo a holding e nove controladas.
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10 bilhões de reais de prejuízo em três meses, quase 300 lojas fechadas em dias e agora recuperação judicial. É oficial, meus amigos, no domingo, dia 16 de agosto de 2026, na madrugada, o grupo Casas Bahia protocolou o seu pedido de recuperação judicial. Um dos maiores da história do varejo brasileiro. A gente está falando de uma empresa com mais de mil lojas espalhadas pelo Brasil. Uma empresa que faz parte da vida de milhões de pessoas. Uma empresa com décadas de história e que agora está pedindo proteção à justiça porque não consegue mais pagar as dívidas.

Transcrição automática do trecho em torno da fala; pode incluir o entrevistador.
Análise Supercrítico

O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial no dia 16 de agosto de 2026, na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo, no mesmo dia em que o conselho de administração aprovou a medida. O processo abrange a holding e nove controladas, com cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas ao processo, segundo fato relevante da companhia e a imprensa. Vale registrar que é a primeira recuperação judicial da empresa; em 2024 ela passou por uma recuperação extrajudicial, procedimento distinto.

Fontes (2)
Confere No 2T26 a Casas Bahia teve resultado financeiro negativo de R$ 1,27 bilhão contra EBITDA ajustado de R$ 518 milhões.
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Porque, pensa comigo, a Casa Bahia vende geladeira, sofá, televisão, celular. Tudo parcelado. Aí o cliente parcela em 10, 12 vezes. Só que a loja precisa pagar o fornecedor agora. Então ela pega dinheiro emprestado para cobrir esse intervalo. E quando o juro está acima de 14% ao ano, esse empréstimo fica caríssimo. E do outro lado, o cliente também está apertado. Porque com o juro alto, o crédito fica mais caro, a parcela pesa mais no bolso e a pessoa simplesmente para de comprar. A Selic alta mata o varejo dos dois lados. A empresa paga mais para funcionar e o cliente compra menos. Quer um exemplo? Se você abriu o release de resultados do segundo trimestre de 2026 da Casa Bahia, que inclusive saiu antes de ontem, lá na página 5, tem uma tabela que mostra todas as despesas financeiras da Casa Bahia. E quando você soma tudo, o resultado financeiro líquido deu 1,27 bilhão de reais negativo. Isso é só de despesas com juros, descontos recebíveis, financiamento do crediário e esse tipo de coisa. Aí você volta lá para a página 1 do mesmo documento. Você tem o EBITDA ajustado, que é o lucro operacional da empresa antes de pagar os juros e impostos. Esse número foi de 518 milhões de reais. Então para ficar fácil de entender, imagina que você tem um emprego que paga 5 mil reais por mês,

Transcrição automática do trecho em torno da fala; pode incluir o entrevistador.
Análise Supercrítico

No segundo trimestre de 2026 o resultado financeiro líquido da Casas Bahia foi negativo em R$ 1,278 bilhão, com despesas financeiras de R$ 1,347 bilhão, pressionadas pelo custo de capital. No mesmo período o EBITDA ajustado foi de R$ 518 milhões, 9,4% abaixo do de um ano antes. Os dois números conferem com o release do trimestre.

Fontes (2)
Confere O Plano de Transformação de 2023 da Casas Bahia cortou cerca de 8.600 empregos.
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porque essas empresas operam com um custo de capital muito menor. O Mercado Livre se financia em dólar. A Shopee tem o caixa da C-Limited por trás. A Amazon é a Amazon. É uma das maiores empresas do mundo. E elas conseguem queimar margem por anos para ganhar mercado. A Casa Bahia, com cerca de 14%, não pode se dar esse luxo. Quando você junta esses dois problemas, o juro alto de um lado e a concorrência brutal do outro, a situação fica impossível de se sustentar. E para ser sincero, acho que todo mundo já sabia que isso aqui ia dar problema alguma hora. Não é de hoje que está ruim. Em 2023, a Casa Bahia já estava com problemas e decidiu lançar uma coisa chamada Plano de Transformação. Esse plano, basicamente, consistia em fechar as lojas deficitárias. Eles cortaram 8.600 empregos, reduziram o marketing em 30%, reduziram o CAPEX em mais de 60%. Foi uma série de tentativas para se reerguer. E se você olhar os números, o plano funcionou. No quarto trimestre de 2023, a margem bruta era de 27,6%. No 4T25, subiu para 31,5%. O EBITDA em 2023 era de 1,2 bilhão. Em 2025, foi para 2,5 bilhões.

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Análise Supercrítico

O Plano de Transformação anunciado pela Casas Bahia em 2023 resultou no corte de cerca de 8.600 postos de trabalho, além de fechamento de lojas, redução de estoques e de investimentos. Somando as fases da reestruturação até agosto de 2026, o corte acumulado chega a cerca de 11,6 mil empregos, o que mantém coerente o número de 8.600 atribuído à etapa de 2023.

Fontes (1)
Confere A Casas Bahia teve EBITDA ajustado de cerca de R$ 2,5 bilhões em 2025, insuficiente diante da conta de juros.
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No quarto trimestre de 2024, quando a Selic estava em 11%, o resultado financeiro da Casas Bahia foi de 921 milhões negativos. E no primeiro trimestre de 2025, com a Selic subindo para quase 13%, o resultado piorou para 922 milhões negativos. Aí no primeiro trimestre de 2026, com a Selic em 15, foi para 1,17 bilhão negativo. E aí no segundo trimestre de 2026, no último balanço que a empresa publicou, o resultado financeiro bateu 1,27 bilhão de reais negativo. E cada vez que a Selic subia, a empresa perdia dezenas de milhões a mais por trimestre. E aqui tem um detalhe que torna tudo ainda pior. A maior parte da dívida das Casas Bahia é atalada ao CDI. Ou seja, quando a Selic sobe, os juros da dívida sobem junto. E hoje a Casas Bahia gasta por volta de 4 bilhões de reais por ano, só com juros. E o EBITDA de 2025 inteiro, que foi o melhor dos últimos anos, foi de 2,5 bilhões de reais. Então se a Casas Bahia repetisse em 26 o mesmo EBITDA de 25, os juros consumiriam mais de 150% de tudo que o negócio gera. Para cada 1 real que a operação produz, 1,50 reais vão embora só com juros.

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Análise Supercrítico

O EBITDA ajustado da Casas Bahia em 2025 somou R$ 2,555 bilhões, o melhor patamar recente, com margem de 8,8% e alavancagem reduzida a 0,4 vez. O peso da conta de juros é real: só no 2T26 as despesas financeiras foram de R$ 1,347 bilhão, o que projeta anualizado acima de R$ 4 bilhões e sustenta a comparação feita no vídeo de que os juros consomem mais que o resultado operacional gerado.

Fontes (2)
Confere A Casas Bahia fechou 298 lojas em agosto de 2026, cerca de 30% da rede.
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Só que depois da Americanas, essas seguradoras olharam para o varejo brasileiro, pensaram, cara, eu não vou mais garantir esse risco. O varejo do Brasil está passando por um momento muito delicado. Então as seguradoras começaram a cortar as linhas de crédito, não só da Americanas, mas do setor inteiro. As Casas Bahia acabaram se lascando nesse processo todo. Então a própria empresa tentou ganhar um pouco mais de fôlego, estendendo o prazo de pagamento aos fornecedores. No primeiro trimestre de 1926, o prazo médio de fornecedores chegou a 149 dias. Mas isso criou um ciclo vicioso. Quanto mais ela esticava o prazo, menos confiança os fornecedores tinham nela. E menos crédito liberavam. Era um ciclo de falta de confiança que se retroalimentava. A situação foi piorando, aí foi piorando, foi piorando. Até que no dia 14 de agosto de 2026, a Casas Bahia fechou 298 lojas de uma vez só. Quase 30% de todas as lojas da empresa do Brasil fechadas em dois dias. Mais ou menos 1.900 funcionários foram demitidos. E segundo o valor econômico, esse número pode chegar a 3 mil. E alguns dias depois, no domingo, dia 16 de madrugada, a empresa publicou o balanço do segundo trimestre. Prejuízo líquido de 10,1 bilhões de reais em três meses.

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Análise Supercrítico

A Casas Bahia fechou 298 lojas em meados de agosto de 2026, o equivalente a 28,7% de uma base de 1.042 pontos no fim de 2025, dentro da fase 2 do plano de reestruturação anunciada dias antes do pedido de recuperação judicial. O arredondamento para 'quase 30%' é adequado. As fontes situam o fechamento entre 13 e 14 de agosto de 2026.

Fontes (2)
Confere As demissões na Casas Bahia em agosto de 2026 somaram cerca de 1.900, com estimativas de até 3 mil.
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Então as seguradoras começaram a cortar as linhas de crédito, não só da Americanas, mas do setor inteiro. As Casas Bahia acabaram se lascando nesse processo todo. Então a própria empresa tentou ganhar um pouco mais de fôlego, estendendo o prazo de pagamento aos fornecedores. No primeiro trimestre de 1926, o prazo médio de fornecedores chegou a 149 dias. Mas isso criou um ciclo vicioso. Quanto mais ela esticava o prazo, menos confiança os fornecedores tinham nela. E menos crédito liberavam. Era um ciclo de falta de confiança que se retroalimentava. A situação foi piorando, aí foi piorando, foi piorando. Até que no dia 14 de agosto de 2026, a Casas Bahia fechou 298 lojas de uma vez só. Quase 30% de todas as lojas da empresa do Brasil fechadas em dois dias. Mais ou menos 1.900 funcionários foram demitidos. E segundo o valor econômico, esse número pode chegar a 3 mil. E alguns dias depois, no domingo, dia 16 de madrugada, a empresa publicou o balanço do segundo trimestre. Prejuízo líquido de 10,1 bilhões de reais em três meses. Eu sei que esse número assusta, mas eu preciso fazer uma ressalva importante aqui. Desses 10 bilhões, 9,1 bilhões são efeitos contábeis que não tiveram saída de caixa.

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Análise Supercrítico

O fechamento das 298 lojas em agosto de 2026 veio acompanhado da demissão de cerca de 1,9 mil funcionários, com estimativas de imprensa de que o corte poderia chegar a 3 mil pessoas. A Justiça do Trabalho chegou a suspender provisoriamente as demissões coletivas. A faixa citada no vídeo confere com o noticiado.

Fontes (2)
Confere A Casas Bahia teve prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no 2T26, dos quais R$ 9,1 bilhões foram efeitos contábeis não recorrentes.
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No primeiro trimestre de 1926, o prazo médio de fornecedores chegou a 149 dias. Mas isso criou um ciclo vicioso. Quanto mais ela esticava o prazo, menos confiança os fornecedores tinham nela. E menos crédito liberavam. Era um ciclo de falta de confiança que se retroalimentava. A situação foi piorando, aí foi piorando, foi piorando. Até que no dia 14 de agosto de 2026, a Casas Bahia fechou 298 lojas de uma vez só. Quase 30% de todas as lojas da empresa do Brasil fechadas em dois dias. Mais ou menos 1.900 funcionários foram demitidos. E segundo o valor econômico, esse número pode chegar a 3 mil. E alguns dias depois, no domingo, dia 16 de madrugada, a empresa publicou o balanço do segundo trimestre. Prejuízo líquido de 10,1 bilhões de reais em três meses. Eu sei que esse número assusta, mas eu preciso fazer uma ressalva importante aqui. Desses 10 bilhões, 9,1 bilhões são efeitos contábeis que não tiveram saída de caixa. Pensa que quando uma empresa tem prejuízo, ela não só deixa de pagar imposto de renda, como o governo dá para ela uma espécie de cupom. Pensa num cupom de desconto. O governo está dizendo, olha, você teve um prejuízo esse ano, então toma esse cupom.

Transcrição automática do trecho em torno da fala; pode incluir o entrevistador.
Análise Supercrítico

A Casas Bahia reportou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, cerca de 18 vezes o prejuízo de R$ 555 milhões do mesmo período de 2025. Desse total, R$ 9,1 bilhões vieram de efeitos não recorrentes, sem impacto no caixa do trimestre. Descontados esses efeitos, o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões, o que valida o 'quase 1 bilhão' dito no vídeo.

Fontes (2)
Confere Os R$ 9,1 bilhões não recorrentes incluem baixa de R$ 5,7 bi em crédito fiscal, R$ 971 mi de ágio, R$ 1,8 bi de contingências e R$ 502 mi de reestruturação.
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Eu sei que esse número assusta, mas eu preciso fazer uma ressalva importante aqui. Desses 10 bilhões, 9,1 bilhões são efeitos contábeis que não tiveram saída de caixa. Pensa que quando uma empresa tem prejuízo, ela não só deixa de pagar imposto de renda, como o governo dá para ela uma espécie de cupom. Pensa num cupom de desconto. O governo está dizendo, olha, você teve um prejuízo esse ano, então toma esse cupom. Aí lá na frente, quando você voltar a ter lucro, você pode usar esse cupom para pagar menos imposto. É uma forma do governo compartilhar os tempos ruins com a empresa. Nos tempos bons, a gente paga imposto normalmente. Nos tempos ruins, ela ganha esse cupom para usar no futuro. O problema é que esse cupom tem data de validade. Se a empresa não conseguir ter lucro suficiente a tempo, o cupom expira e desaparece. E é exatamente isso que aconteceu com a Casa Bahia. Ela tinha acumulado 5,7 bilhões de reais em créditos fiscais que ela poderia usar no futuro para pagar menos imposto. Só que ela olhou para os números, olhou para o cenário e concluiu que simplesmente não vai conseguir gerar lucro suficiente a tempo para usar. Então, ela teve que dar baixa e jogar esses cupons fora. E lembra que eu disse que a Casa Bahia comprou o Ponto Frio lá atrás? Então, e se eu te disser que ela pagou um valor a mais pelo negócio?

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A composição dos R$ 9,1 bilhões em efeitos não recorrentes divulgada pela companhia bate com o vídeo: baixa de R$ 5,7 bilhões em crédito tributário de Imposto de Renda diferido, R$ 971 milhões de ágio, R$ 1,8 bilhão em contingências de revisão contratual e R$ 502 milhões em despesas de reestruturação, além de R$ 210 milhões em ativo fixo. As baixas refletem projeções revisadas de lucro futuro e o custo do fechamento de lojas.

Fontes (2)
Confere O patrimônio líquido da Casas Bahia virou negativo em R$ 8,1 bilhões ao fim do 2T26.
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que 971 milhões de ágio não valiam mais nada. Além disso, teve 1,8 bilhão de reais em contingências contratuais. Isso é basicamente o custo de fechar as lojas, devolver pontos comerciais, cancelando acordos antes do prazo. E por último, mais 502 milhões de reais em despesas de reestruturação. Que é o custo de demitir quase 2 mil pessoas de uma vez, fechar 298 lojas, desmontar operações, rescisão trabalhista, transporte de equipamento, devolução do imóvel. Tudo isso custa muito dinheiro. E somando tudo, foram 9,1 bilhões de reais em efeitos não recorrentes. E mesmo tirando todos esses efeitos contábeis, o prejuízo ajustado ainda foi de quase 1 bilhão de reais no trimestre. E como se não bastasse esse prejuízo bilionário, o patrimônio líquido da Casa Bahia ficou negativo em 8,1 bilhões de reais. Para quem não sabe, patrimônio líquido é o que sobra quando você pega tudo que a empresa tem e subtrai tudo que ela deve. Quando esse número fica negativo, significa que a empresa deve mais do que tudo que ela possui. E no trimestre anterior, o patrimônio líquido da Casa Bahia era positivo em 1,7 bilhão e em 3 meses foi de 1,7 bilhão para negativo 8,1 bilhões.

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Ao fim de junho de 2026 o patrimônio líquido da Casas Bahia passou a ser negativo em R$ 8,1 bilhões, reflexo do prejuízo do trimestre. Patrimônio líquido negativo significa que a companhia deve mais do que tudo o que possui, o que reforçou as dúvidas sobre a continuidade do negócio levantadas pela auditoria no release.

Fontes (2)
Impreciso O vídeo diz que a ação caiu de R$ 400 em 2020 para R$ 0,66 e cita 238 mil investidores pessoas físicas.
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E olha, eu sei que a gente está falando de empresas de números aqui, mas eu quero que você pense por um segundo no lado humano também de tudo isso. A Casa Bahia foi fundada por um sobrevivente do Holocausto que vendia colchão de porta em porta. Ele criou uma empresa que deu crédito para quem não tinha. Permitiu que milhões de brasileiros imobiliassem a casa pela primeira vez. E hoje, quase 70 anos depois, essa empresa está entrando em RJ. Não é só uma empresa passando por problemas, é um pedaço da história do Brasil passando por problemas. Sem contar nas inúmeras famílias que vão perder o emprego e no efeito em cascata que isso pode gerar na economia. É muito triste de verdade que a gente esteja passando por isso. E não é triste só para a empresa, para a história dela e para os funcionários, mas também é triste para quem tinha as ações das Casas Bahia. Hoje a Casa Bahia tem 238 mil investidores e pessoas físicas. São pessoas comuns que colocaram a parte do patrimônio em ações da empresa, acreditando que estavam investindo em um negócio bom. E que saíram de R$400,00 em 2020 para R$0,66 hoje. E se você é uma dessas 238 mil pessoas que ainda tem ações da Casas Bahia e não sabe o que vai acontecer agora com o restante do seu dinheiro, porque a empresa está entrando em RJ, calma que eu vou te explicar.

Transcrição automática do trecho em torno da fala; pode incluir o entrevistador.
Análise Supercrítico

A destruição de valor é real, mas o preço de R$ 400 em 2020 é um número ajustado pelo grupamento de ações, não a cotação efetiva da época. Nos pregões de 2020 e 2021 o papel (então VVAR3/VIIA3) negociava na casa de poucas dezenas de reais e chegou a R$ 0,80 em setembro de 2023, antes de a companhia realizar o grupamento que multiplicou o valor unitário. A cotação de R$ 0,66 é compatível com o fechamento anterior ao pedido de recuperação judicial, quando a ação (BHIA3) despencou cerca de 33%, para R$ 0,44, em 17 de agosto de 2026. O número de 238 mil investidores pessoa física não foi confirmado em fonte pública independente.

Fontes (2)
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